Reflexão da Semana

O individualismo de nossos desejos

Em Mateus 7:7, Jesus está ensinando aos seus discípulos e seguidores sobre a persistência na oração. Ele diz: “peçam, e será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta será aberta.” (versão retirada da NVI). É muito comum imaginar que esse verso fale de uma maneira individual com cada um de nós: se nas nossas orações e em nossas atitudes nós pedimos, buscamos e batemos, obteremos aquilo que estamos procurando. Mas alguém, em algum lugar, já alertou para o perigo de tentar interpretar as passagens da Bíblia sem observar primeiro o seu contexto. Esse verso é um exemplo disso. Não que essa interpretação esteja errada… longe disso. De fato devemos, em nossas orações e atitudes, quando desejamos alguma coisa, pedir, buscar e bater, do contrário, nada irá acontecer (o Maná não cai mais do céu). Mas ela é mais profunda do que isso.
Jesus continua, nos versos a frente desse, dizendo que nós não somos capazes de dar uma pedra para um filho que pede pão, ou uma cobra para um filho que pede peixe. Nós somos, mesmo que imperfeitos, capazes de fazer coisas boas às pessoas que estão à nossa volta. Ele termina dizendo que devemos fazer aos outros aquilo que queremos que eles façam com a gente. E é justamente esse o ponto dessa passagem.
Isso significa que nossos desejos e vontades não são puramente individuais. Eles podem afetar as pessoas a nossa volta. Em outras palavras, o que desejamos pode ser usado para influenciar outras pessoas. A última parte dessa passagem “façam aos outros o que vocês querem que eles façam a vocês” (Mateus 7:12) significa que o que desejamos deve ser visto como bom também para as pessoas a nossa volta, pois se é bom para os outros, é bom pra gente também.
Essa passagem nos mostra que devemos pensar primeiro nas outras pessoas e depois em nós mesmos. Ela nos ensina sobre ter empatia e conseguir se colocar no lugar do outro, deixando de lado o seu próprio eu, e passando a pensar mais nas necessidades coletivas. Jesus nos ensina a pensar nos nossos desejos, a questionar se eles serão benéficos apenas para quem pede ou se serão benéficos para o próximo também. Somente quando esses desejos puderem abençoar mais vidas, é que poderemos pedir, buscar, bater e encontrar o que desejamos, pois nós não seremos os únicos a nos beneficiar deles.
Será que o que eu desejo é bom também para o meu próximo? Essa é uma das essências de ser cristão.

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